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No artigo anterior, eu disse que as Editoras estão priorizando autores
consagrados, que já publicaram outros livros e foram bem-sucedidos.
Temas inovadores de autores com um excelente currículo profissional têm
também a atenção das Editoras.
Muitas delas acompanham bem de perto a publicação dos lançamentos no
exterior e suas posições nos rankings de mais vendidos. As grandes
contratam scouts internacionais para ficarem antenados com os
lançamentos, bem como qualquer notícia que envolva um grande nome e uma
grande editora em um possível projeto editorial.
Algumas editoras se especializaram em descobrir e publicar
best-sellers mesmo que, em alguns casos, os primeiros livros destes
autores tenham sido publicados por uma outra editora.
Recentemente um autor de romances açucarados, que se tornou
best-seller nos EUA, teve vários de seus livros publicados no Brasil
por uma editora de Ribeirão Preto, e que ficaram várias semanas na lista
de best-seller da Revista VEJA. Na última Feira de Frankfurt, a
agente editorial deste autor resolveu leiloar os próximos livros que
este autor ainda vai escrever e uma outra editora brasileira fez uma
oferta maior de adiantamento dos direitos autorais e levou.
Isto é recorrente no mercado editorial.
O fato de uma editora ter descoberto, publicado e tornado o autor um
best-seller não lhe garante nada. O que vale, neste mercado, é o
contrato assinado.
A função da agente é sempre conseguir contratos e valores mais vultosos.
Fidelização é praticamente zero.
Mas na verdade quem está mesmo encontrando muitas dificuldades para
publicar seus textos são os autores de primeira vez. Mesmo tendo um tema
atraente e um currículo profissional competente, as editoras tendem a
não arriscar parte do seu cashflow em um novo autor.
Todas as editoras têm uma limitação de livros publicados por mês e a
oferta de livros para traduções que foram bem-sucedidos em seus países
de origem é grande e atraente.
Além dos autores locais tradicionais que produzem regularmente.
Não é fácil encontrar uma editora que decida investir em um novo autor
de romance, ficção ou poesia se ele não for uma pessoa com visibilidade
nacional ou regional.
O mesmo ocorre em todas as áreas.
Nas áreas profissionais, negócios, acadêmica, religiosa, por exemplo, os
autores têm de ser pessoas reconhecidas e destacar onde atuam.
Em negócios, o ideal é um profissional muito bem-sucedido, com vasta
experiência e histórias de sucesso.
Os acadêmicos exigem que o autor seja um Professor de uma escola de
prestígio e de reconhecimento cultural, além de ele próprio ser
reconhecido como um expert na área.
Na área de livros religiosos, tanto católicos como evangélicos e
espíritas, há a necessidade de ser reconhecidamente um líder espiritual,
conhecedor de sua religião, catequizador, pregador, e, de preferência,
com reconhecimento além das fronteiras da sua diocese ou região.
Acontece que, mesmo tendo um currículo adequado, as editoras trabalham
regularmente com um planejamento editorial de livros já contratados para
os próximos 12 meses, e convencer o editor de publicar o livro neste
período é sempre mais difícil.
Neste caso, um bom networking pode ajudar.
Uma recomendação de alguém efetivamente importante pode fazer com que um
editor fure a fila e publique o livro.
Importante: o texto tem de cumprir as formalidades de avaliação normais
de mercado, como outro livro qualquer.
A editora nunca vai publicar um livro sem possibilidade de vendas e que
não esteja à altura de seu nome e prestígio.
Já recusei, com cuidado e respeito, livros que me foram indicados por
pessoas que admiro pelo fato de não se adequarem a nossa linha
editorial.
Já tive também de recusar livros muito bem escritos, por profissionais
do alto nível, pelo fato de já ter o número de livros contratados e
comprometidos com meu cashflow para todo um período.
Já me arrependi muitas vezes, mas faz parte do jogo.
Ao escrever um texto, o autor deve direcioná-lo para uma editora que
publique o tema.
Uma maneira fácil de saber é ir a uma livraria e pesquisar quais
editoras publicam este tema e enviar o texto para o Departamento
Editorial destas Editoras.
Se tiver uma de preferência, envie a princípio exclusivamente para ela.
Procure obter uma resposta em prazo relativamente curto. Neste caso no
máximo de 30/60 dias, e tendo uma resposta negativa, aí então envie para
todas as outras que selecionou.
Volto a dizer, o currículo é tremendamente importante na decisão das
editoras. Você só vai ter seu livro aprovado após uma avaliação de
potencial de mercado e respaldado pelo seu currículo.
Consultores, professores, palestrantes e empresas de treinamento, que
pela suas atividades profissionais utilizam, indicam, ou adotam o livro
são mais bem-vindos, desde que haja um comprometimento efetivo de
promoção e vendas.
Muitas editoras publicam sob patrocínio. O autor consegue uma empresa ou
alguém que banque uma quantidade mínima, muitas vezes de 1.000
exemplares, e a editora investe imprimindo uma outra quantidade, que
pode ser de 500 ou 1.000 exemplares para vender no mercado de livrarias.
Algumas editoras, além de distribuir e vender, oferecem um trabalho
específico de promoção, divulgação e marketing, inclusive em faculdades.
Vários profissionais utilizam esta modalidade como investimento em seus
negócios profissionais. O livro atua como promoção, divulgação de seu
negócio e imagem, e como portfólio para apresentação às empresas que
desejam contatar.
O autor pode ainda publicar seu livro on demand.
Editoras especializadas produzem e publicam o livro sob encomenda , em
quantidades mínimas variadas.
Neste caso, o autor investe em uma tiragem pré-negociada, que lhe é
entregue totalmente, para uso próprio.
Finalmente há a possibilidade de publicar seu texto exclusivamente no
formato e-book.
O livro neste caso é diagramado em um arquivo digital específico e
colocado para ser vendido em um site de vendas de e-books.
A negociação com o site de vendas, a promoção e divulgação são de
responsabilidades do autor.
Na Internet você encontra empresas especializadas neste serviço.
Como podem ver, publicar um livro não é fácil, mas é possível. Você tem
de descobrir qual a melhor alternativa e se ela lhe convém.
Como palavra final, eu sugiro deixar de lado qualquer autocrítica e
submeter seu texto a uma ou várias editoras. A chance é sempre de 50%.
Vi uma matéria com a autora J.K. Rowling em que disse que sentiu sim um
certo receio de receber uma negativa ao apresentar ao editor o primeiro
livro da série, Harry Potter e A Pedra Filosofal. Mas que depois pensou:
“Já recebi tantos nãos na minha vida, por que então ficar com receio de
mais um?” E deu no que deu!
Se tiverem perguntas específicas, contatem-me diretamente no e-mail
miltonassumpcao@terra.com.br
Sugestão de leitura:
Como estamos próximos das férias, minhas sugestões são
“SIMPLES, SIMPLESMENTE FELIZ” e
“HISTÓRIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL”.
O primeiro é um livro leve, agradável e bastante positivo.
O segundo é uma leitura rápida e objetiva de toda a Segunda Guerra
Mundial.
Tenham uma boa leitura!
*Milton
Mira de Assumpção Filho, Administrador, editor, presidente da M. Books e membro da
Academia Brasileira de Marketing.
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