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O marketing tem utilizado na promoção, divulgação e propaganda de
produtos e serviços as diversas mídias disponíveis em cada época e
situação.
Toda empresa deve buscar a mídia correta a ser utilizada na promoção de
seus produtos a partir da avaliação e conhecimento de seu público
consumidor. É preciso conhecer seus hábitos e desejos para então usar
aquela que poderá conquistar o maior número de clientes e torná-los
consumidores fiéis.
O livro é um produto considerado nobre, que tem inclusive uma certa
áurea. No entanto, se o compararmos com um outro produto de
supermercado, por exemplo, uma caixa de chocolate, pelos olhos do
marketing ambos têm semelhanças interessantes.
Tanto a caixa de chocolate como o livro devem ter uma embalagem
atraente. A embalagem do livro é a capa. Editoras hoje no mundo inteiro
gastam mais com a criação das capas do que no passado. Quanto ao
conteúdo, ambos são de consumo. Chocolate você come e sente prazer; o
livro, você lê, tem prazer ou adquire conhecimentos. A distribuição e
comercialização de um é feita em lojas específicas e principalmente em
supermercados; a do outro, notadamente em livrarias. Em ambos os casos,
a exposição é fundamental. Em prateleiras na altura dos olhos, e em
gôndolas com a capa virada para cima para ser vista e identificada pelo
leitor. Este por sua vez, como também o consumidor, tem de receber
mensagens por meio da mídia que lhe motive a consumir os produtos
mencionados. E é pelas diversas mídias que isso normalmente acontece. O
conhecimento e o estímulo ao consumidor ocorrem logicamente de outras
maneiras também, como por exemplo o merchandising e o boca a boca, para
citar somente dois.
Assim sendo, é muito possível utilizar exemplos de aplicações e cases de
marketing editorial e fazer analogias e benchmarking para muitos
produtos de consumo comercializados em supermercados.
Primeiro é importante explicar como é feito o marketing editorial. De
saída, digo que não é usual fazer propaganda e publicidade de livros a
não ser que você tenha um Código da Vinci ou um Harry Potter.
Normalmente, nós buscamos a mídia espontânea que é feita por meio de
releases de jornalistas comentando e recomendando livros em espaços
específicos da mídia.
A primeira coisa a ser feita é um release, ou seja, uma descrição do
texto, valorizando o conteúdo, e que é enviado junto com um exemplar do
livro ao jornalista da área específica do tema.
Este release é também enviado também para as livrarias e, à medida que
são publicados comentários e recomendações na mídia, informamos as
livrarias para que tenham o livro disponível e em destaque.
Mídia tradicional é a divulgação e promoção por meio de jornais,
revistas, rádio, TV, feiras, eventos e noites de autógrafos. Quando um
livro é publicado, como dissemos anteriormente, preparamos o release, e
enviamos junto com o livro aos jornalistas que selecionamos por veículo.
Um texto de marketing, por exemplo, vai para a Revista Exame, Caderno de
Negócios do Estadão, Revista Marketing, Qualimetria. Um romance, uma
obra de ficção vai para a Veja, os cadernos de cultura de diversos
jornais, e para programas específicos de rádio e televisão.Todos
veículos geralmente oferecem oportunidades de divulgações de livros de
todos os temas, e o importante é enviar o livro com o release para o
jornalista certo. Acontece que é uma guerra por um espaço, pois
normalmente são publicados no Brasil por mês 1.200 livros novos, e cabe
a cada editora lutar para que seu livro seja resenhado. Esse trabalho é
que na maioria das vezes torna o livro conhecido. Ou seja, é por meio da
mídia que o leitor regularmente se informa. Os jornais, as revistas que
ele lê, as rádios e TVs que escuta e acessa, enfim os veículos de
comunicação que utiliza... Vale acrescentar que, paralelamente, temos um
outro desafio que é colocar os livros nas livrarias para que sejam
encontrados pelos leitores. Também para atingirmos aquele leitor que ao
visitar uma livraria descubra e se interesse pelo livro.
Hoje, a importância da mídia tradicional reduziu-se naturalmente em
função da mudança do hábito de leitura e do acesso à informação. As
pessoas têm lido jornais, revistas, escutado rádio e assistido à
televisão de um maneira mais seletiva e pontual.Temos utilizado estas
leituras mais como acompanhamento das notícias, e não nos concentramos
tanto no conteúdo da informação propriamente dita. Isso tem sido feito
mais pela Internet. Mas é ainda uma mídia muito importante e não pode de
maneira nenhuma ser descartada.
A Mídia de internet é hoje seguramente a maneira mais eficaz de promoção
e divulgação de livros. A promoção e divulgação por meio de sites
específicos do tema do livro faz com que atinjamos o leitor no momento
certo, ou seja, quando ele está acessando ao site da área de seu
interesse, e com atenção concentrada no tema. Com isso, há uma
predisposição maior para a recepção da divulgação. Um exemplo real que
tivemos recentemente foi com o livro Criando Filhos Gêmeos. Conseguimos
uma página inteira de comentário na Revista Pais & Filhos e, ao mesmo
tempo, o livro foi resenhado, com foto da capa em um site de Filhos
Gêmeos. Quantas pessoas que leem a revista têm filhos gêmeos? 5%? E
quantas pessoas que acessam o site Filhos Gêmeos têm filhos gêmeos?
Acredito que mais de 90%. Ou seja, ao termos o livro resenhado em um
site específico do tema do livro, atingimos seguramente um número maior
e mais direcionado de possíveis compradores do livro. Há uma
possibilidade maior de atingir e motivar o leitor. Os sites também são
muito dinâmicos e proporcionam a possibilidade de incluir um comentário
e a capa de um livro novo em tempo real. Ou seja, o livro é publicado
hoje e amanhã já pode estar na home page de um site. Jornais e revistas
dependem da periodicidade de suas impressões. Jornais são diários; no
entanto, as revistas, principalmente as mais focadas, são na maioria
mensais. Além disso, os sites necessitam frequentemente de novos
conteúdos. Para serem atraentes, precisam ser dinâmicos com
recomendações e informações atualizadas. Isso faz com que estejam sempre
disponíveis a receber releases e livros para serem resenhados.
A Mídia de Internet tem sido para nós uma das ferramentas mais
importantes, principalmente porque publicamos livros voltados para a
área do conhecimento e atingimos um público alvo específico – leitores
que utilizam internet e visitam sites das suas áreas de atuação
regularmente.
As Mídias Sociais são hoje ferramentas ideais para promover os livros
junto ao público jovem, a geração Y e adultos “antenados”. Essas pessoas
leem muito pouco jornais, dão preferência para revistas específicas,
rádio FM, programas transados de televisão, baixam as músicas preferidas
pelo iTunes e ficam uma grande parte de seu tempo em frente ao
computador. São eles que têm utilizado com regularidade Orkut, Facebook,
Linkedin, Twitter e Blogs. Os três primeiros são redes sociais com as
quais este grupo de pessoas se comunica e interage, e, é por isso que,
para se comunicar com eles, as ferramentas de Mídias Sociais são
importantes.
Importante frisar que as Mídias Sociais são ferramentas que têm de ser
utilizadas dentro de um conceito estratégico de marketing. A empresa tem
de pesquisar o comportamento do consumidor que quer atingir, estando
este dentro dos padrões que citamos anteriormente pode então utilizar as
Mídias Sociais como ferramenta de marketing para criar a demanda de seu
produto e serviço.
As Mídias Sociais têm sido utilizadas para promoção, divulgação,
pesquisas e vendas. No que tange as vendas, alguns sites, como Peixe
Urbano, Vale Junto e Oferta Única têm utilizado o Orkut e Facebook para
vendas específicas com descontos especiais principalmente de serviços e
alguns poucos produtos. O resultado em si é medido e comprovado pela
resposta imediata dos compradores. No entanto, é questionável o
resultado para a empresa prestadora do serviço ou vendedora do produto.
Na maioria das vezes a oferta, o desconto é oferecido para atrair novos
clientes. A dúvida é se ao preço normal, posteriormente, o cliente volta
para comprar. Recentemente um hotel de praia colocou uma oferta para o
fim de semana de um casal ao preço de R$ 400,00, quando o preço normal
cobrado é de R$1.200,00. Em meio dia, 750 compradores efetuaram compras.
Do valor total vendido, 50% ficou com o site vendedor e os outros 50%
ficou com o hotel. Com certeza na venda para estes 750 compradores o
hotel terá um prejuízo direto. A dúvida maior é justamente se o casal
que comprou e vai usufruir do fim de semana por R$ 400,00 vai voltar
pagando R$1.200,00. Perguntei a uma das maiores especialistas em
hotelaria aqui no Brasil, e ela respondeu-me de pronto que não. Um outro
caso, uma pessoa que conheço comprou uma depilação a laser por R$
350,00, utilizou o serviço e me disse que ao preço normal de R$ 780,00
não voltaria.
O que eu sugiro é que antes de colocar algum serviço ou produto à venda
pelas Mídias Sociais verifique com muito cuidado a estratégia e os
objetivos que se quer alcançar. Muitas empresas estão fazendo campanhas
de vendas para obtenção de mailing list. É um custo assumido. Com isso,
a perda nas vendas fica justificada.
As TVs Globo e Record têm feito pesquisas para suas novelas utilizando
blogueiros importantes, e que têm servido de base para direcionamento de
personagens e de enredo, além de promover e divulgar a atrações. Quanto
à promoção e divulgação, tenho visto e acompanhado muitas empresas com
ideias inovadoras e criativas. Nós criamos comunidades no Orkut com
alguns títulos de nossos livros e temos conseguido promovê-los e
torná-los conhecidos. Este ano mesmo, fizemos uma promoção em
comunidades do Orkut e em sites de fãs de quadrinhos para ajudar-nos a
escolher o título de um livro. A resposta foi excepcional, cerca de
16.000 internautas responderam.
Quanto ao Twitter, que é uma ferramenta em que as pessoas têm a
limitação de se expressarem com140 caracteres, as possibilidades de
utilização são relativas. O twitteiro depende do número de seguidores
que possui. Hoje 90% das pessoas que têm Twitter apresentam menos de 100
seguidores. Existem, no entanto, algumas pessoas de renome com um número
de seguidores grande e que são formadoras de opinião e que, ao twittarem,
podem sim recomendar produtos e serviços. A grande dificuldade das
mídias sociais com exceção das vendas promocionais é a capacidade de
medir resultados. Isso faz com que esta ferramenta de promoção tenha uma
capacidade de resultados relativa. No nosso caso, como Editora, as
mídias sociais são e continuarão a ser utilizadas. É a maneira mais
direta de falar com este público específico. No entanto, não dá para
saber se algum leitor tocado pela divulgação comprou ou vai comprar o
livro. Essa é uma das características do negócio editorial. Nós
promovemos os livros por meio das diversas mídias e o leitor realiza a
compra onde ele quer, ou seja, em uma das diversas livrarias da cidade,
ou mesmo por meio das lojas virtuais na internet.
As Mídias sociais devem fazer parte de um plano estratégico de
marketing. Para implantar isso, é necessário um conhecimento profundo de
comportamento do consumidor, produto, marca, foco, fidelização, varejo,
distribuição – itens fundamentais de marketing que irão determinar como,
quando e em quais circunstâncias utilizar.
As Mídias Sociais são irreversíveis, mas quanto à eficácia ainda não
está comprovada. Um grande número de pessoas vai se comunicar por meio
delas, e o que pode acontecer é uma mudança e um declínio das atuais
mídias disponíveis e a chegada de novas, que serão naturalmente
incorporadas. Volto a enfatizar que as mídias sociais são ferramentas e
o marketing está a cima de tudo.
Minha recomendação é que, se tiver dúvidas, não vá por tentativa e erro,
procure uma consultoria especializada, já existem várias disponíveis.
As diversas mídias vão conviver normalmente. Jornais, revistas, rádio,
Tvs, internet vão cada vez mais utilizar as novas tecnologias para suas
próprias atualizações. Eles também têm um público alvo a atingir. Cabe
então a cada um de nós definirmos a melhor maneira de atingir nossos
consumidores e mantê-los fiéis. O que é um grande desafio,
principalmente, porque estão mais infiéis que nunca.
*Milton
Mira de Assumpção Filho, Administrador, editor, presidente da M. Books e membro da
Academia Brasileira de Marketing.
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